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Gueto Sentimental

7 Fev

Experimentando…

Pegando gosto por incrementar desenhos com cenários, coisa que poucos que sabem desenhar fazem, não sei se por preguiça ou inabilidade mesmo…

Me inspirei nos autores de quadrinhos nacionais underground, que tendem a expressar emoções dentro dum contexto cotidiano. As tiras dos gêmeos, lá no 10 pãezinhos, me mostram muito disso…

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First Impressions of Darsh

29 Dez

E um Feliz 2010 para todos!!

And a Happy 2010 for you all!!

Are You Reading Comics??

17 Dez

O final de ano se aproxima, e eu comecei a fazer um balanço do que eu li e gostei, em matéria de quadrinhos. Li muita coisa legal, inclusive de artistas brasileiros, o que me deixou contente por ver que o pessoal não faz feio frente aos criadores de histórias mais populares no mundo da nona arte.

Portanto, vou fazer um Top 5 das obras que mais me impressionaram neste ano:

5º Lugar – Daytripper

É fato que a Vertigo sempre me surpreende com histórias adultas bem escritas e desenhadas. Tem para todos os gostos, de fantasia a histórias policiais. A estréia dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, com uma série só deles, não podia dar errado. Ao menos, essa primeira edição tem muito da identidade deles, tanto no roteiro como na arte, tendo como foco a vida como ela é.

Não vou falar muito pra não estragar a surpresa para quem se interessar em ler a obra, mas posso garantir que o conteúdo é de qualidade. Na trama, temos o jornalista de obituários, Brás de Oliva Domingos, que almeja ser um escritor e sair da sombra de seu pai. Mas o mundo dá voltas…

Há um contra, que é a narrativa um pouco lenta, não é recomendado para aqueles leitores que desejam a ação que encontraram em Umbrella Academy ou em Casanova, e sim para os que procuram algo diferente dos quadrinhos de superherói. Esta primeira edição ainda carrega em sua estrutura, muito da cultura brasileira e os cenários são estonteantes e nostálgicos, fazendo lembrar de escritores como Jorge Amado.

4º Lugar – Wednesday Comics

O segundo gibi mais comentado nos EUA no momento: um jornal semanal com aventuras dos maiores heróis da DC escritas e desenhadas pelos melhores colaboradores da editora. Com páginas de HQ do tamanho do maior jornal na sua banca.

Em época de webcomics, de Kindle e Sony Reader, de pirataria de quadrinhos na rede e de graphic novels luxuosas na livraria, Wednesday Comics quer a nostalgia da grande seção de quadrinhos coloridos do jornal de domingo. Gibi que você tem que ler esparramado no chão, coisa que hoje só os quarentões americanos lembram.

Em 35,5 por 50,8 cm, uma página de HQ tem que ter muito mais quadros que as no formato padrão. As de Ben Caldwell com a Mulher Maravilha, por exemplo, usam em torno de 40 quadros na página para contar uma história cada, fazendo homenagens ao clássico Little Nemo. Já Neil Gaiman e Mike Allred, em Metamorfo, já chegaram a fazer uma imagem só para a página inteira, fora uma tirinha extra na parte de baixo onde são respondidas cartas fictícias dos fãs do personagem.

A idéia aqui é brincar com o formato. Subentenda-se que o conteúdo não tem que ser revolucionário nem arrebatador. A melhor tira, até agora, é a do Gavião Negro escrita e desenhada por Kyle Baker  cheia de detalhes cômicos e aproveitando para tirar sarro dos monólogos metidões de Frank Miller. Já as demais ganham pelo desenho. O que importa, afinal, é a alegria de ver grandes e coloridos personagens na página gigante. Mal posso esperar pra ver isso nas bancas do Brasil.

3º Lugar – Batman & Robin


O quarto e último gibi mais comentados nos EUA no momento: o que já era esperado. Novo Batman, novo Robin, nova série, novas idéias malucas de Grant Morrison desenhadas em um novo estilo de Frank Quitely. Não há por que não ler (e reler e reler e reler).

As duas primeiras edições são aventura de alta octanagem e nada mais. A primeira abre com a seqüência de perseguição motorizada na qual juro que consigo ver o novo Batmóvel se mexer. A segunda é para quem queria ver mais das pirações de Frank Quitely na composição de páginas de ação como fez fantasticamente em We3. É uma pena que a leitura seja tão rápida.

Morrison chega a abusar. Faz o novo Batman usar parlari, um antigo idioma usado apenas por gente de circo para falar com os inimigos. A idéia, em um escritor com menos capacidade, serviria para toda uma saga que exploraria as raízes circenses do novo Batman. Morrison usa-a por apenas dois quadros.

E Quitely é o melhor desenhista de ação da atualidade. É uma pena que não estará presente a partir da edição 4, mesmo que subtituído por gente com cacife: Billy Tan e Frazer Irving. Volta somente na edição 10, no ano que vem. Vai ser uma longa espera.

Sobre o ”BATMAN AND ROBIN” de Grant Morrison e Frank Quitely, as criticas falam por si próprias.Todas as pessoas com quem troquei idéias dizem que a série é muito boa. A despeito do que falam sobre o Grant Morrison, até que ele está fazendo um bom trabalho nesta revista.

2º Lugar – Umbrella Academy:Dallas

Os premiados Gerard Way e Gabriel Bá estão de volta à Academia! Após os eventos de “A Comitiva do Apocalipse” tudo é novo para nossos nada ortodoxos heróis! Um estático Garoto-Espacial, uma revoltada e muda Fofoca, um amargurado Kraken e um inspirado Espírita não têm nada a ver com os seus antigos papéis na Academia, apenas Número 5 parece ainda ter força de vontade para retomar sua vida, mas isso pode mudar com a chegada dos Eternos Temporários!

O que dizer deste gibi?? Aqueles que acompanharam o primeiro arco de histórias vão se sentir em casa e antenados com o que acontece em “Dallas”. O que chama a atenção são os diálogos bem bolados e os personagens malucões criados por Gerard Way e Gabriel Bá. É uma HQ de superheróis em que você não fica entediado, esperando pelo final.

1º Lugar – Retalhos


Do quadrinista Craig Thompson, a obra retrata fragmentos da juventude do autor e sua relação problemática com a família, com Deus e com seu primeiro interesse amoroso.

O protagonista da trama, o próprio autor, mostra o peso que a criação rígida e a constante pressão da comunidade religiosa exerceram sobre sua infância. Perseguido e espancado regularmente na escola por ser frágil e bonzinho demais, Craig refugiava-se no desejo sincero de fazer o que Deus queria dele. O jovem protagonista transita entre mundos em que não se encaixa: ao mesmo tempo em que tenta se adequar aos mandamentos e ao temor sobrenatural que seus pais e sua igreja lhe incutem, ele se esforça para não se diferenciar demais dos outros jovens de sua escola e de sua congregação – muitos dos quais são bem menos apegados às restrições religiosas do que ao êxtase dos cânticos coletivos. A obra é, ao mesmo tempo, uma oferta íntima a cada fã e um exorcismo simbólico de Craig Thompson.

A crise espiritual que vem com a descoberta do amor nos braços (e no quarto) de Raina faz com que Craig tenha de se reinventar, e esse processo só será concluído quando seus estudos bíblicos o levarem a perceber as contradições inconciliáveis e demasiado humanas do Livro Sagrado, fazendo com que todos os ensinamentos do pastor e dos seus pais caíssem por terra. Quando Craig enfim deixa a casa dos pais, aos 20 anos, para tentar a carreira de desenhista, todo um novo mundo se abre para ele, com valores diferentes e uma nova razão para viver.

Retalhos é uma das mais importantes histórias em quadrinhos publicadas nos últimos anos. A obra autobiográfica de Craig Thompson prende o leitor ao longo de suas quase 600 páginas e é um convite sincero a conhecer suas lembranças tumultuosas.

Com este livro, Thompson deixa claramente “uma marca na superfície branca”, o rastro de seus passos, “mesmo que seja temporário”.

Em diversos momentos, há semelhanças com as metáforas visuais de David B. (Epilético), David Mazzucchelli (Cidade de Vidro) e Art Spiegelman (Maus). A cadência, o estilo e certas cenas remetem ao mestre Will Eisner. Nos traços variantes, na sinuosidade das curvas ou nas angulações desconcertantes, o Craig autor reconstrói graficamente o estado de espírito do Craig protagonista a cada passo da trama.

Vencedora de diversos prêmios mundo afora, Retalhos é de uma beleza assombrosamente melancólica e pura, que enternece a ponto de levar às lágrimas – contidas, disfarçadas, mas profundas. Quem não ama quadrinhos, definitivamente passará a amar.

Fonte: Universo HQ e Omelete

In Space No One Can Hear You Scream…

17 Nov

Base para o novo Header do Blog e pro Background do Twitter

Aprecio bastante ficção-científica, apesar de achar que eu não dou muito pra coisa…

Abara Bizarre Filth Box

14 Nov

Abara

Decidi resenhar algumas coisas que eu ando lendo e babando em cima enquanto ouço musicas estranhas no escuro do meu quarto. Vamos começar com um mangazinho bem bizarro chamado Abara, de Tsutomu Nihei.

Sinopse:

Abara conta a história de seres chamados “Gaunas”, criaturas da escuridão que vivem de acordo com sua vontade. Comem outros de sua própria espécie e até humanos, causando muita destruição no mundo. Um selo protege os humanos da liberação dos gaunas brancos e sua total aniquilação. Os gaunas pretos fazem de tudo para proteger os homens dessa ameaça. O que irá acontecer se esse selo for rompido?

Seja bem vindo a um mundo horrorshow que parece ser um misto de futuro pós-apocalíptico do tipo Blade Runner com Revolução Industrial elevada ao cubo. As cidades são imensas e cheias de edifícios esquisitos com cabos, torres e chaminés esquisitas. Mas o mais esquisito ainda vem pela frente, pois logo você se vê dentro de um filme de horror japa dos mais bizarros.

A humanidade se vê atacada por uns seres esquisitos que parecem ter saído de algum pesadelo maluco do Clive Barker ou então de alguma viagem com drogas pesadas do próprio autor, Tsutomu Nihei, dono de um traço, ao mesmo tempo, detalhado e sujo. Os tais seres surgem como se um humano qualquer tivesse sido infectado por algum tipo de bactéria que o transforma e o induz a comer outros humanos e até outros Gaunas Brancos, que é como são chamados os tais bizarros. Existe apenas um jeito limpo e certo de derrotar estas aberrações Lovecraftianas: Os Gaunas Negros.

Gauna Negro

É uma coisa do tipo “Contrate um assassino para matar outro”, e no meio da história a situação foge do controle, o que gera um eletrochoque no leitor, acordando-o para a história, pois nessa hora ele já está em estado dormente por causa do início arrastado e com pouquíssimos diálogos que o saúda. Nihei gosta mesmo é de fazer páginas cheias de cenários desolados, carregados de luz e sombra, dando um aspecto Noir e ainda Gótico ao mangá. Também capricha nas cenas de ação com desmembramentos e mutilações em massa, pois aqui os seres humanos são gado esperando pro abate e ficam no meio da luta entre os Gaunas Brancos e Negros.

BATARU!!DORSAL PARASITE!

A história é bem bolada, com investigadores entrando num caso onde vão rezar para saírem vivos e incólumes, organizações secretas agindo no submundo da sociedade para proteger a humanidade de pesadelos vivos que cada vez mais vão devorando tudo ao redor até não restar mais nada. Voce até espera por um final nada feliz.

Resumindo, é um mangá que pode não agradar aqueles acostumados com a modinha shonen que se instala no ambiente Otaku. É mais para os aficcionados por enredo obscuro e arte original e estranha. Em mim, causou uma sensação interessante. Foi como abrir uma Caixa de Pandora e contemplar pesadelos dos mais malucos, além de dar uma vontade danada de rabiscar alguma coisa num papel. Recomendo, mesmo como curiosidade, pois não é uma das melhores coisas já feitas, mas é um exemplo de que dá pra ousar e criar coisas realmente doidas em HQs.

No mangá, publicado pela Panini há um extra intitulado Digimortal, que é o meio que um teste pro universo criado por Nihei para o Abara em si. O que eu gostei foi do visual do personagem principal, bem parecido com o do Gauna Negro, como uma fusão entre um cenobita e as criações de Shotaro Ishinomori. Beeeeem Horrorshow!! DIGIMORTALLLLLLLLLLLLLLLLLLL<<Pra ouvir escutando DEFTONES!! ^^

Local Scene

17 Out

Hoje venho aqui divulgar o fanzine “Duo” dos autores Felipe Cunha e Pablo Casado. Eles participaram do FIQ 2009, conforme mostra o vídeo, e Pablo Casado faz parte da cena de HQ independente daqui de Alagoas. Conheço o trabalho dos caras apenas através de uma história publicada online pela Mojo Comics, mas dá pra ver que existe um alto grau de qualidade no roteiro e na arte. Esse é o tipo de trabalho que incentiva a muitos outros amantes de quadrinhos – seja tradicional, mangá ou underground – a continuar sonhando. Que a cena local cresca cada vez mais e ganhe o apoio das massas. Peace!!

Mais detalhes sobre o fanzine em: http://bit-hunter.net/cafedamanhadoscampeoes

Enjoy The Silence

14 Out

Hoje vou falar de Silent Interlude, edição #21 do gibi do G.I.Joe nos longinquos anos 80. Segundo Scott McCloud, “esse quadrinho foi uma espécie de divisor de águas para desenhistas de sua geração. Todo mundo se lembra. Era como 11 de Setembro.”
O que ele queria dizer com isso, você me pergunta?
Esta era um revelação intrigante, pois em 1984 quando Silent Interlude atingiu as bancas, poucas pessoas deram valor a um quadrinho que servia pra vender brinquedo.
No entanto, G.I. Joe da Marvel era escrita por Larry Hama, um artista e um ator que, na década de 1970, espreitava à margem da cena underground de quadrinhos. Hama foi e é um artista marcial, e veterano do Vietnã, e, lendo suas histórias em G.I. Joe, é claro que ele assumiu o conceito paramilitar tão a sério quanto seus leitores adolescentes. Ele também foi ativo na comunidade asiática de Nova York, e ele tinha um cuidado especial em histórias envolvendo personagens asiáticos. Ele não assistia ao desenho do G.I. Joe, o que provavelmente ajudou.Por suas contribuições, Hama foi imortalizado como um Action Figure do G.I.Joe: Tunnel Rat, um especialista em explosivos, trabalho de Hama, no Vietnã. “Silent Interlude” não é uma história complexa. Scarlett, uma das figuras femininas no GI Joe, é capturada pelo Ninja Storm Shadow dos Cobra. Enquanto ela tenta sair de sua masmorra, Snake-Eyes desce de pára-quedas na sede da Cobra, luta contra ninjas maléficos, e encontra-se com Scarlett no hora de salvarem uns aos outros de Storm Shadow e voarem juntos em um Jetpack. Conheço pessoas que boicotaram o filme do G.I. Joe porque colocaram Scarlett em um romance amoroso com Duke, em vez de Snake-Eyes.

Depois de toda essa conversa furada nerd, vem o que realmente interessa nessa história: A única coisa notável sobre o assunto, é claro, o seu o silêncio. Histórias em quadrinhos na década de 1980 eram prolixos. “Silent Interlude” corta o palavreado, em um seqüência de ação de 22 páginas. A arte anatomicamente cuidadosa de Hama (ele desenhou várias edições de GI Joe), não é bonita, mas tem uma clareza que se aproxima perfeitamente da pantomima. “Silent Interlude” demonstra como contar uma história visualmente. Ouvir cartunistas que eram crianças nos anos 80 falando sobre isso, eu me lembro de artistas mais velhos que se lembram do manga Tezuka’s Treasure Island, primeiro romance do mestre, com a sua seqüência de abertura sem palavras, cinematográfica.

Ao que parece, não dá pra ignorar os diversos gêneros de quadrinhos, pois até mesmo em uma revista que foi feita pra lucrar em cima de brinquedos, pode se encontrar coisas inspiradoras, pois décadas depois de Silent Interlude, ainda vemos esse recurso sendo usado em algumas histórias, como por exemplo, aquela do Homem-Aranha que a Marvel publicou na época dos ataques do 11 de Setembro.

Influências estão em todo lugar, basta saber enxergá-las. Até a próxima!!